
Atualmente reconhecida como a principal sala de espetáculos e eventos do Porto, a Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota representa um marco de excelência, modernidade e conforto. A sua transformação não aconteceu de um dia para o outro: foi o resultado de um processo profundo de reabilitação conduzido pelo Executivo Municipal, concluído em 2019. Seis anos após essa renovação, a cidade celebra não apenas um espaço revitalizado, mas também um legado de visão e perseverança.
Na passada sexta-feira, o auditório da Arena foi palco de uma noite simbólica: a apresentação do quarto volume da coleção “Fazer Cidade”, editado em parceria entre o Município do Porto e a Tinta-da-china. A obra, dedicada à história e ao impacto do pavilhão, marcou também o último ato público de Rui Moreira como presidente da Câmara Municipal, encerrando um ciclo político de doze anos.
Uma história de reabilitação e visão
Durante a sessão, Rui Moreira conversou com Jorge Silva, administrador da Círculo de Cristal, e Rui Ribeiro, engenheiro acústico responsável pelo projeto, recordando os desafios de recuperar um edifício que, há mais de uma década, necessitava de uma intervenção urgente. No prefácio do livro, o autarca sublinha que o caminho até ao sucesso passou por “muitas hesitações e projetos falhados”, mas o modelo de concessão privada acabou por se revelar “virtuoso e sustentável”.
“Hoje, a qualidade técnica e estrutural do pavilhão fala por si. O som é tão nítido na sétima fila como na quadragésima — e é exatamente isso que se espera de uma sala desta dimensão”, destacou Moreira.
Apesar das dúvidas iniciais sobre a entrega da gestão a privados, o presidente defendeu que “as cidades crescem através das suas dificuldades” e que a pluralidade de opiniões faz parte da identidade vibrante do Porto.
O palco de excelência que a cidade merecia
Jorge Silva expressou o orgulho de ver a Super Bock Arena consolidada como o principal palco da cidade. “Todos os artistas elogiam a acústica e o conforto da sala”, afirmou.
O engenheiro acústico Rui Ribeiro recordou um episódio curioso: o músico Rui Veloso, que prometera nunca mais atuar ali devido às más condições anteriores, mudou completamente de opinião após conhecer o novo espaço. “Quando viu o resultado das obras, percebeu que o pavilhão tinha renascido com outro espírito e outra alma”, contou.
Um legado que inspira o futuro
O quarto e último volume da coleção “Fazer Cidade” documenta as intervenções, investimentos e novas funcionalidades que transformaram a Arena num equipamento de referência nacional. A obra reúne testemunhos de técnicos, gestores e artistas como Pedro Abrunhosa, Mundo Segundo, Três Tristes Tigres e Miguel Araújo, que destacam a importância simbólica e emocional do espaço.
Segundo Rui Moreira, a intenção da coleção sempre foi “registar as políticas, decisões e estratégias que moldaram o Porto contemporâneo, promovendo o estudo e a análise crítica deste período de grandes transformações”. O livro, que encerra este ciclo editorial, reflete o esforço coletivo de devolver à cidade um dos seus ícones culturais mais emblemáticos.
“O Porto precisava de uma sala de espetáculos e desporto com esta dimensão e qualidade — um centro moderno, funcional e versátil, à altura da energia criativa da cidade”, sublinhou o autarca.
A cerimónia terminou com uma atuação especial do Quinteto de Metais da Academia de Música de Costa Cabral, formado por Miguel Silva, Rodrigo Pinto, Francisca Macedo, Francisco Mendes e Gustavo Paiva — um momento musical que simbolizou, de forma harmoniosa, o encerramento de um ciclo e o início de uma nova etapa para a Super Bock Arena e para a cidade do Porto.
